domingo, 17 de março de 2013

Lei 10639 - 10 anos

- Novembro de 2007 - 
Participação na Capacitação sobre a Cultura Africana

Lei 10.639 de 09/01/2003

De acordo com a lei os estudos de história e cultura afro-brasileira devem ser ministrados no âmbito de todo o currículo escolar, resgatando e valorizando a contribuição do povo negro na construção da história brasileira nas áreas social, econômica e política brasileira. 


Os costumes africanos que consolidaram a identidade nacional estão presentes em vários setores de nossa vida e não podem ser negados. Conhecendo de forma correta e justa a ancestralidade do povo negro e sua contribuição na  construção da história brasileira, a partir da escola, pode-se realmente reconhecer o valor da diversidade racial e cultural de nossa nação. A lei contribui para o estabelecimento do respeito e fortalecimento dos direitos humanos, como enfrentamento da ignorância dos fatos, da cultura de intolerância e desigualdade nas relações sociais de nosso país.

O rufar dos tambores

Ouvi o rufar dos tambores lá mata na Guiné
era congo saravando, era congo Pai Thomé.
Saravá linha de congo, sarava Pai Thomé,
Saravá linha africana, rainha de nossa fé!

Na ancestralidade africana a comunicação era irradiada pelos Tambores. Até nossos dias eles movimentam o ouvir, o sentir, o ver,  através das energias que emanam num universo simbólico que envolve cultura, religiosidade, musicalidade,...  Os tamboreiros transformam esta energia, através do respeito, em alegria e emoção.


A saudação através do som do tambor afina nossa emoção na homenagem ao guia, caboclo, orixá, despertando uma energia individual, que envolvendo-se coletivamente, transforma-se em curador interno.

O tambor transformou-se, através da história, num patrimônio cultural brasileiro. No ecoar do seu ritmo sentimos força, encontramos a essência da espiritualidade que ele movimenta.

“Ressoou da natureza... primitiva comunicação! 
                Da África... dos nossos ancestrais 
                Dos deuses... nos toques rituais 
                Nas civilizações... cultura 
                Arte, mito, crença e cura...
Tem batuque... tem magia... tem axé! 
 O poder que contagia... quem tem fé!”      Salgueiro/2009

A preocupação com a continuidade desta forma de relação com a espiritualidade tem oportunizado cursos preparatórios para esta prática musical, para além da vivência ritual religiosa, iniciando a capacitação para o toque, no ritmo e timbres dos tambores,  para a execução em conjunto, para a criação e manutenção do instrumento. Exemplo aqui do Curso de Tamboreiros de Umbanda da FAUERS.
A melodia e a harmonia desta forma primitiva de comunicação está vinculada a postura respeitosa com o qual o tamboreiro deve associar o canto, o toque e a manifestação.
O Curso da FAUERS  prepara os alunos aliando conhecimento, habilidade e atitude, partindo da história do instrumento e da Umbanda, do uso simbólico e ritualístico do tambor, preparando para a retirada dos sons através de exercícios com os toques e pontos cantados, passando por debates sobre o valor e o comportamento do tamboreiro junto ao dirigente espiritual e a afinação e o cuidado com seu tambor.
A cada edição a forma como é conduzido o aprendizado se aperfeiçoa, a partir da participação e avaliação dos envolvidos. A metodologia varia conforme a necessidade (auditiva, visual e/ou cinestésica): se dá com a demostração do professor - Baba e Ogã Jorge Grinã, através da interação direta com cada aluno; ex-alunos e os mais experientes auxiliam os demais, aprende-se observando, contando, experimentando, pela imitação... Com o meu  acompanhamento e orientação pedagógica, no final do curso o grupo realiza uma avaliação para a certificação.

O toque e a magia do tambor, socializado pela comunidade religiosa, irradia a fé e a alegria da religião, espalhando muito axé.




segunda-feira, 29 de outubro de 2012

“Eu só existo porque nós existimos”: a ética Ubuntu

"Na África, a felicidade é concebida como aquilo que faz bem a toda coletividade ou ao outro. Os outros são meus orixás, ancestrais, minha família, minha aldeia, os elementos não humanos e não divinos, como a nossa roça, nossos rios, nossas florestas, nossas rochas. Dessa forma, para a filosofia africana, o ser humano tem uma grande responsabilidade para a manutenção do equilíbrio cóshttp://www.ihuonline.unisinos.br/index.php?option=com_content&view=article&id=3691&secao=353
Ubuntu para todos nós!!!

O difícil aprendizado da humildade



Pai Thomé tem como lema de sua casa – Fé, Humildade e Justiça.
Ele tem incansavelmente tentado introduzir nos seus seguidores o entendimento e a prática da humildade. Como seres humanos falhos temos grandes dificuldades em aplicar esta virtude.
A humildade requer, primeiramente, o combate a soberba, a presunção, a arrogância e a vaidade, grande desafio para a humanidade.

É preciso que tenhamos consciência de nossos limites, e Pai Thomé afirma que isto não significa depreciação, não é deixar-se humilhar, ou ser servil, não é abrir mão de si ou de suas necessidades e desejos. A ajuda a outrem, segundo Pai Thomé, levam as falsas humildades, aparentes na caridade que oculta a vaidade de doar-se ao outro, porque somente o outro é que precisa.
Já paramos para avaliar por que precisamos realizar doações?

Nesta condição de não entendimento e prática da humildade precisamos reconhecer que ignoramos nossa falta por conhecimento do que se é, mas, principlamente, por não reconhecimento, de tudo o que não se é.

Somos seres limitados, na materialidade, como na espiritualidade, por não sabermos tudo, porque não há verdade absoluta, é preciso, constantemente, a busca pela possibilidade de aprender, e com os outros.

Neste sentido trago o que venho aprendendo em minha formação como pedagoga que resumo na famosa frase de Sócrates: só sei que nada sei. Reconhecer-se inconcluso é a chave para a busca constante do saber: saber ser, saber conviver, saber aprender, saber fazer... Este movimento abre as portas para a auto-avaliação, oportuniza a reflexão sobre os atos, pensamentos e valores, clareando onde é necessário rever, fortalecer ou mudar, transformar-se...

Este é um processo gradativo, primeiramente solitário, mas necessita de um ambiente que coopere na busca, necessita do outro, que me auxilia, mas, também me movimenta com sua busca. Para Paulo Freire para se viver, para ser, é preciso estar sendo, sempre;  é o que humaniza o ser,  pois é um ser de relações.

E aí é muito importante a ética nas relações, onde cada um se perceba inacabado e, por isso, com possibilidades de crescimento, com o outro. Um exercício necessário é a prática da empatia, de conseguir colocar-se no lugar do outro, de compreender seu sentir, e, a partir daí, ter aproximação e diálogo.
Eis um grande desafio nos dias atuais, para cada um, nas famílias, base da sociedade, para o qual Pai Thomé, vem nos orientar. É preciso partir das bases para que se conquiste qualquer mudança de forma positiva.

Um Preto Velho é a representação desta sabedoria. É a comunicação ancestral da história dos africanos  no Brasil, dos seres oprimidos que viveram um processo histórico de escravidão a libertação, com todas as dificuldades continuaram a ser, defenderam sua cultura, introduzindo-a fortemente no novo espaço-tempo, como  sujeito social  construtor da história, confirmando a vocação humana para o ‘ser mais’, que conforme Freire,  fortalece a humanização. O Preto Velho é a espiritualidade fortalecendo a humanização.

No fundamento da cultura africana certamente encontraremos subsídios e valores que estão extintos em nossa sociedade. É preciso que estejamos abertos para aprender, ter a humildade de se reconhecer ignorante sobre este tema e querer conhecer.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Estudos e reflexões...

Recebi uma bênção!
Na verdade foram duas, três, quatro,...
Primeiro recebi um presente de natal,
Um papai noel que trouxe uma boneca e outros presentes.
Acreditando sempre em anjo da guarda pedi um contato com ele, e recebi...
Recebi a missão de ser cambona de um Preto Velho, o Pai Thomé.
De repente ganhei um casal de filhos, lindos, negros...
Ela, com grandes olhos negros, como jabuticabas.
Ele, um verdadeiro negão de tirar o chapéu, como aquela música.
Vivo cantando para ele.

Deste encontro veio a ideia de estudar sobre as origens deste povo especial
para nossa história, para minha história...
Filha de descendentes alemães e portugueses, descobri minha verdadeira origem...
...a Mãe África.

Os termos:
Negro (utilizado como conceito de raça, etnia) e Preto (desígnio de cor) aqui serão utilizados para destacar, muito respeitosamente, o que é característico do africano e seus descendentes.
Jaime Pinsky (1993) salienta:
A maioria dos militantes do movimento negro prefere esse termo a “preto”, que o utilizam com orgulho para afirmar os valores da cultura afro-brasileira. O contexto determina o sentido pejorativo das duas expressões. Em certas situações, tanto “negro” como “preto” podem ser altamente ofensivos. Em outras, podem denotar carinho, por exemplo, nos diminutivos “neguinho”, “minha preta” etc.’
O preconceito nosso de cada dia, em http://www.brazilbrazil.com/pcbrasil.html -               Cartilha - “Politicamente Correto e Direitos Humanos”  da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, vinculada à Presidência da República.







Mesmo assim haviam os castigos, as humilhações, as agonias...

... e as perseguições.











No início do Século XX o Brasil já reunia, além da cultura indígena, portuguesa e africana, os italianos, alemães e orientais, miscigenando, também, a crença religiosa.


- imagens retiradas da internet -

sábado, 25 de agosto de 2012

Meu ouro, minha prata...meus tesouros.


Sou brasileira, faceira, mestiça...
acompanhada da Conceição/Oxum
que ao primeiro apito do ano 2000 encontrou um caboclo,
pedaço de bom carinho...

Eu vi chover, eu vi relampear...
 mas mesmo assim o céu estava azul,
pois, entrei no teu passo e depois...
vieram daí três amuletos para minha proteção;

Olha, meus pretos bonitos...
...prometo, te gosto pra sempre...
(adaptado da música 'Nem  ouro, nem prata' de Márcia Freire)